24 de nov de 2009


Como os ventos
minha cabeça roda,
e voa, e pesa, para baixo.
A primavera visita minha casa
e eu a recebo
como se nunca estivera...
Tanta cor, tanto verde,
tanta flor,
e eu batendo pelas paredes
com labirintite.
Que dicotomia!
E a lua ri de mim...

4 de out de 2009

Domingo, 4 de Outubro


Conheci Rosane em Campos dos Goytacazes, em 1968.

Ela foi com a irmã falar comigo nos bastidores depois show que apresentei lá, nunca esqueço aquele dia.

Minha amizade foi com a irmã dela, mas ela insistiu tanto, com cartas lindas, sempre presente, que foi com ela que tive uma linda amizade até ontem, quando ela foi enterrada em Recife, lugar onde ela gostava de passar as férias, alugava uma casinha e curtia a vida adoidado.

Abri meus emails e lá estava um aviso de postagem em meu blog. Quando li a mensagem não pude acreditar no que via, aquelas palavras pareciam um texto qualquer, não podia ser a vida real. Liguei pra lá, falei com a amiga que deu a notícia e que no telefonema contou o calvário que passaram com ela em hospitais, Samus e o cacete! Nenhum diagnóstico preciso, nem uma palavra que desse algum esclarecimento...e ela morrendo aos poucos.

Soube que foi alguém, conhecido da irmã para providenciar o funeral.

Para mim, que ainda não dormi, foi hoje o enterro, mas foi ontem, dia 03 de Outubro.

Em Recife.

Escuto a voz dela, suas risadas felizes, pois sempre que ela estava comigo estávamos felizes. Querida. Sempre me ligava de Campos onde morava. Ligava de todos os lugares para onde ia passar férias. Minha irmã de verdade.

Recife, faça festas, ela ficou aí, que os espíritos cuidem bem de sua alma, já que os encarnados responsáveis cuidaram tão mal.

Obrigada às amigas que fizeram tudo o que podiam, saibam que ela adorava a sua companhia, por isso não abria mão das férias com voces. Obrigada.
Rosane, Rosane, minha querida, minha irmã de verdade.

Daqui por diante vou fazer com você o exercício que faço com as pessoas minhas amadas que vão embora:

Penso nelas todos os dias, procuro ver todo o corpo e ouço a voz falando comigo, para não esquecer nada do que foi importante em minha vida. E não esqueço mesmo, como não lhe esquecerei. Pode estar certa, querida.
Tenha muita paz e alegria no céu!

28 de set de 2009


"Cadê meus olhos que não tem vêem,
meu coração que não se abre,
minha sensibilidade que se esvaiu?
Estou tão brutalizada que te falto...
Não desista de mim, Aracy, não desista"...


Poema pra minha gata Aracy,
que tem sido distratada por mim por tanto tempo e
que em nenhum momento me abandonou.
Só os bichos são capazes desse amor, só os bichos...

Da vida comum
só os laços comuns
me interessam.
Nada que me ofereça hoje
uma "ideia" de novidade
pode me interessar,
por mais simplório
que tudo possa parecer
não quero surpresas.
Sei o que quero,
sei do que preciso.
Não tentem me surpreender,
não estou disponível.
*


Apenas uma dificuldade.


Não adianta tentar dormir mais cedo, a cama parece uma frigideira e pode estar fazendo o frio que for, sinto calor de tanto que faço ginástica virando pra lá e pra cá...
Obras em casa e a vida parece que para, não consigo dar um passo à frente, fico "em tempo de espera".
Acho que o que salva é a minha camera fotográfica, ela registra que "o tempo não para", mesmo que pareça que sim e mesmo que a foto seja algo estático, ela ensina que esperar pode ser um tempo de contemplação...

4 de set de 2009

QUEIMANDO ETAPAS.

Tirei minha carteira de motociclista em 1978, mas só pilotava quando ia à casa do meu irmão Gilmar em São José dos Campos/SP, não queria ter moto para não me arriscar todos os dias e não poder criar o meu filho, aliás, depois que ele nasceu, cortei tudo o que pudesse me expor, pois além de nao querer deixá-lo sem mãe, principalmente eu não queria correr o risco de não viver com ele, que foi o grande sonho de uma vida realizado.
Passaram tantos anos, tanta coisa tomou a frente dos meus sonhos menores, pois é assim que a vida é.
Hoje uso muito uma frase do Belchior que diz "Tenho pressa de viver", não tenho tempo a perder e o que tenho será para colocar em dia a realização de cada pequeno sonho que sonhei, um deles está aí na foto, a minha moto "custom", uma Virago 250cc, toda equipada para a estrada, que é a sua vocação e a minha também.
Sempre achei que aquela propaganda era a minha cara e sempre pensei em um dia poder cantá-la de verdade e não apenas "com os meu botões, "Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada...", sempre achei que o ideal de vida era uma mochila com "uma muda" de roupa dentro, um livro e uma escova de dentes.
Está faltando bem pouquinho, já passei do "meio caminho andado".
Estou muito feliz!
Em Tempo, o nome dela é "Amiguinha" e eu sou apaixonada por ela.






17 de ago de 2009

:) oi



Adoro escrever acrósticos!
Uma vez, Vinícius de Moraes me disse, que achava a coisa mais difícil de se fazer. Duvidei que ele não pudesse... mas ele deu muitas explicações e resolvi acreditar. Afinal, pra que um poeta mente?
O poeta é apenas um fingidor...Mas eu não.
Quando escrevo, grito bem alto, acho que o desabafo é que me salvou de ser uma mentirosa.
Eu escrevo para todos, mas é por mim que escrevo, pra não ficar louca quando a emoção, seja qual for, não cabe em mim.

Aí está um acróstico que escrevi para justificar, "com carinho", o fim de um namoro há!há!há!
NYC,13/Nov/1999

Malverseou os projetos, ainda
Incompletos no próprio tempo de ser.
Separou da água, o
Óleo que unge a vida,
Golpeando com palavras,
Incessantemente,
Nossos mal arquitetados
Oníricos anseios.

16 de ago de 2009

Casarão


Tentei a anorexia, tentei de tudo.
Me vi preparando o ninho,
qual uma noiva
de mil anos de solidão.
A casa crescia, os móveis andavam,
a chuva vazava as telhas pesadas
pra madeira verde do teto.
As teias de aranha fechavam passagens e
eu já não andava mais por todo o lado,
a vida colocava-se à minha frente
qual obstáculo,
impossível de não ser vista.
Cortei os pulsos e o sangue que jorrava
espalhava-se em mim e num minuto,
olhava a minha pele antes manchada
e via que o sangue entrava nos poros,
a pele embranquecia e o corte sumia !
Procurei pelos cantos
um motivo qualquer
que me desse o prazer
de ir embora de vez.
Mas nesses cantos, nos meios,
vasculhando as telhas,
as teias,meu sangue,
esbarro vez por outra
em um vestido de noiva
que caminha sozinho,
qual um fantasma,
dentro da minha casa.
*

Sobre Amigos.


A amizade vive da verdade da emoção.
Nada me desperta mais a ira,
do que a mentira e a traição.
Fico feito bicho acuado,
com o peito doído,
pelos golpes do desdém.
Com pés e mãos amarrados
e o peito amordaçado,
do deboche sou refém.
Amortalhada e perplexa,
observo a teia complexa,
que a falsidade constrói.
E fico um pouco mais velha
quando ainda tão menina,
engulo o fel que corrói.
*

15 de ago de 2009

Sobre os meus fãs, sobre o amor...


Não, não dá para "classificar" o sentimento.

Não é gentil, chamar esse ou aquele fã, de número 1.

O amor não se compara a números,

não vamos encontrar nada no mundo

que se preste a medir o amor,

nem se ama mais ou menos

ou também não se ama melhor ou pior.

Ama quem pode, quem quer, quem doa,

quem cuida, quem zela, olha,

observa, fala, cala, chora e ri, por amar.

Àquele que percebe o amor do próximo por si,

cabe o respeito, o apreço, a recíproca.

É preciso maturidade, experiência, vivência e,

lamentavelmente, muito sofrimento,

para se reconhecer em corpo e alma,

como "a casa de Deus" e então

saber porque Jesus disse:

-"Amai ao próximo como a ti mesmo".

Em meus momentos de pensar,

que aliás são muuuuuuuitos,

o que penso é que quando alguém me admira

e demonstra essa admiração,

é porque em algum lugar de mim,

essa pessoa se reconhece e é isso

o que nos aproxima,

é o que nos mostra definitivamente

a clareza das Palavras Divinas

que nos chamam à todos de irmãos.

E é assim que vejo, aceito esse amor

de todos os que se auto-intitulam fãs,

mas troco a palavra fã, pela palavra irmão,

pois quando em mim alguma coisa de si

eles reconhecem,

é no amor que me dão que os reconheço.

Jamais me cansarei de agradecer a Deus

pelo bem que me fez

quando deu-me a missão de ser artista,

missionária de Sua vontade.

Muito obrigada a todos vocês, meus irmãos e irmãs.

O que me enobrece como artista,

é o número de irmãos e irmãs que reencontro na vida.

Um beijo com todo amor,

Marilia Barbosa

14 de ago de 2009


"Estivesse eu perto de ti

e te cobriria os passos de pétalas,

concavas, brancas, suaves..

cantaria canções doces,

de nuances que enlevam,

que levam

a alma pro céu..."

Ao Maico, escrito em 08/03/1979



Quisera transformar-me em um pássaro invisível
e entrar em teus sonhos enquanto dormes, meu filho.
Quisera conhecer teu sono por dentro,
viajar com teus passos, tua alma.
Quisera zelar por teu espírito,
no momento em que ele deixa o teu corpinho lindo,
a repousar na cama de minha casa.
Quisera caminhar contigo por céus e estrelas
e a ti eu mostraria o mais lindo caminho de nuvens.
Quisera poder, no céu, defender-te de todos os perigos.
Quisera sim, estar sentada em tua cama
quando tu acordasses,
beijar-te e ao teu primeiro sorriso,
dizer-te sem medo:
- Vá, meu filho!
A vida te espera e Deus te acompanha.


*


PRA QUEM FICA,...CIAO !


Alguém foi embora

com o drama comum

às partidas

e mal sabe ainda

que a vida desconhece

despedidas.

A vida é estrada

é tudo e é nada,

é querida

e quem segue a estrada

da vida querida,

tem a vida.

Uma troca de emails sobre a epidemia de gripe

Marilia,
Eu já recebi este e-mail de outra pessoa, e não estou achando no momento, pois gostaria de repassá-lo para você.
As personagens eram as mesmas, mas a história era outra.
Então. embora não duvidando que a situação esteja complicada mesmo e que,como sempre, estejamos sendo enganados, neste caso, acho que devemos somente ficar atentos, pois existem pessoas de todo o tipo, para nos colocar mais apavorados do que já estamos.
Bjs
Marise
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Concordo plenamente, mas como eu disse, ficaria muito mal comigo mesma se não repassasse, mas sei que nesses momentos é muito difícil separar o joio do trigo, o que penso de verdade, amiga querida, é em dar um tempo enorme na Internet, mas como todos os nossos negócios (vc sabe) são feitos via net, inevitavelmente tenho que abrir o pc todos os dias e aí vejo msgs de amigos como o Flávio, Você e outros amigos e amigas pelos quais tenho todo respeito e admiração e me vejo na "sinuca de bico" entre repasso ou ignoro.
São tempos muito difíceis esses tempos sem ética em que estamos vivendo, o Vianinha estava certo já nos anos sessenta: "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".
Meu filho fala assim pra mim:
"- Mamãe, não repassa nada, deixa tudo pra lá, lê e passa batido".
Mas, Marise, é assim esse novo tempo onde pessoas como nós sofrem de profunda inadequação. Vivo em estado de perplexidade, já não sei mais onde estou.
Verdade.
Sabe, estou precisando tanto de conversar, tenho me sentido numa solidão intelectual, afetiva também intelectual, no sentido da confiança, do crédito, da fé no próximo.
Essa é a grande razão de vender tudo e ir pra Minas, ostrar-me na família, viver perto do mundo encantado das minhas netas e no mundo maravilhoso de amor com meu filho e minha nora.
Não pretendo "viver a vida deles", não preciso e nem quero isso, mas não quero mais olhar para fora disso, a não ser pelos cuidados que sempre terei com eles.
Ah, amiga, que lástima! Nós conhecemos lindos tempos, por isso temos o que lamentar , não como nostalgia do passado, mas de um presente avassaladoramente assustador que furta de todos nós o direito de desfrutar desse mundo de Deus, com segurança e fé.
Desculpe o lamento, mas não tenho nada melhor hoje para sentir.
Todo o meu carinho e muito sincera amizade para sempre,

Marilia

A BELA MULHER

09/07/05


A bela mulher não precisa de adornos.

Ela só precisa de um homem que lhe diga que é bela
e ela brilhará como o diamante brilha,
involuntariamente,sob a luz.
A bela mulher só precisa, às vêzes,de um vestido
que lhe faça sentir-se nua
diante desse homem
e que ela vestirá -despida-e fará de um andrajo, sêda.
A bela mulher não se vê em espêlhos.
Ela se descobre nos olhos de um homem apaixonado
e seus defeitos irremovíveis
se movem,voláteis, para outro universo.
A bela mulher só precisa de um homem lúcido,
que queira mostrar a beleza da mulher
que se despe de tudo,
para amar com as entranhas,
onde os olhos de um homem qualquer
jamais entrarão.

1 de ago de 2009

O amor dói todos os dias,
mesmo se for bom...
Mas quando é de saudade,
o amor não se descreve,
só se sente,
muito,
profundamente...

31 de jul de 2009

Dona do meu nariz, da minha vontade, paciente e muito tolerante. Gosto de ouvir as pessoas e gosto de passar adiante o que aprendi...
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31/07/09
Foi assim que me apresentei quando inaugurei o blog,
mas hoje quero acrescentar mais um pouquinho:
É o direito de acrescentar, de amanhecer de outro jeito,
de sentir diferente, de absorver o dia e suas energias
e de responder em consonância com os sentidos e a intuição.
Sou uma árvore, com raízes fortes, mas uma árvore que anda
e que gosta dessa libertade de poder escolher
onde vai plantar suas raízes na hora em que me der na telha de mudar.
Mudo de lugar, mudo de ponto de vista, mudo de humor.
Me preocupo em não atingir ninguém com meus "azeites",
mas não admito invasão; privacidade é da maior importancia,
silêncio, gosto muito de silêncio de falar baixo,
não suporto ouvir conversa alta, me dói por dentro,
é invasivo,
não gosto de gente barulhenta, não é questão de gostar ou não,
é que quero distância, questão de educação, de respeito pelo espaço alheio.
Sou quieta (quase uma múmia), não gosto de conversa fiada,
não gosto de baixaria, conversa chula.
Gosto de conversar, no máximo com mais duas pessoas,
senão vira comício de alguém com platéia VIP (de qualquer ponto de vista).
De fato estou muito cansada, enfastiada com meu status quo.
Quando chega a hora de "vazar, sair batido, cantar pneu, queimar o chão",
eu fico chata mesmo, nada me segura e se tenho que
eu mesma me segurar pra esperar a hora, aí meu Deus, não me suporto!
Tem que me deixar quieta.
Quando tomei conhecimento de que nasci no ano do Tigre,
me compreendi melhor, nada me define melhor
do que a minha semelhança com os felinos.
Passei a gostar muito mais de mim e me respeitar muito mais.
Sou um bicho do mato.


Relembrando


Cidade grande, és adorada pelos que te habitam.

Teus ruídos, tuas luzes,tuas promessas de prazeres...

Cidade grande,os que te habitam, por tua causa sofrem e,

socados em apartamentos,socam-se uns aos outros.


Alguns mais nervosos e impacientes,ao fim de um desencontro,

atiram o outro pela janela.

Pois é, os apartamentos são muito pequenos...


Tu és tão cara, que o dinheiro jamais te pagará,

conheço bem o teu preço e de ti,

saí di-la-pi-da-da.


Ai de ti, quando os prédios começarem a cair.

Quando as pessoas começarem a jogar pelas janelas

os telefones,as tevês, os vídeo-cassetes.


Ai de ti, quando na estrada as famílias começarem a se resgatar

e te virem como és: pequena demais,

pequena,

demais.


Marilia Barbosa 15/04/1986.

BRUMAS NO MAR





Brumas no mar


Brumas no ar


E o mar mistura suas espumas


Ao "fog" gelado da manhã de inverno.


No cais, a emoção dos que esperam.


Os ais que congelaram a alma


E enregelaram a doçura


Que por tanto tempo acreditou


Em juras de amor.


Mas a fé ainda traz aquela mulher descrente


À beira do mar, quase indiferente


Pois o tempo, tão longo


Cuidou de apagar a memória.


Não havia mais rosto que esperasse...


E vê-se a nau ao longe...


As velas, tão brancas, fazem que pareça


Uma nave do céu,


Uma coisa que voa, sei lá,


Coisa de Deus...


Ela corre à beira do cais


E olha, olha, olha


E nada vê.


Não vê ninguém que lembrasse......


mas vê o dono do barco


- Um pirata! certamente...


Com aqueles brincos...


E aquela força, com aquele brilho...


E ela sentou-se sobre as cordas no cais,


Apreciou o barco,


Apreciou o pirata e disse para si mesma :


- Não há mais nada que fazer.


- Nunca mais venho ao cais,


- Nunca mais espero pelos barcos,


- Nunca mais procurarei rostos esquecidos...


E não pensou duas vezes


Para aceitar uma taça de vinho


Na taverna mais próxima


A convite do pirata...




Marilia Barbosa 21.09.2004

11 de jul de 2009

Michael Jackson

Vou morrer um dia e até lá jamais acreditarei na campanha difamatória que levantaram contra ele, nunca acreditei que ele fosse pedófilo, nunca, não é pela imensa admiração que lhe dedico, mas por lógica de comportamento, porque eu mesma, sempre falei assim de mim:

- "Se num lugar onde estiverem muitas pessoas, em festas, churrascos, entrega de prêmios, quermesses, enterros, balizados, queijos e vinhos, pode me procurar onde estiverem as crianças, pois elas sempre foram as que conversavam comigo, falavam comigo, abraçavam a mim, eu, Marilia".

A criança não sabe quem é você, mas paradoxalmente, é ela a única que realmente sabe de seu coração, enfim, só ela sabe quem realmente vc é.

Os adultos falam com o conceito que têm de você, pior ainda se vc é uma pessoa famosa.

Não só eu, mas ninguém nesse mundo poderá ser comparado ao Michael Jackson, mas na escala proporcional, tive meus momentos de muito sucesso em meu país e a partir disso, vim a conhecer a mais amarga solidão, a solidão de estar a cada dia mais sozinha quanto maior for o destaque que o trabalho proporcione.

Faz tempo que deixei de estar entre as crianças por ter percebido muito cedo que poderia ser uma cilada. O pior é perceber que estava certa!!!!!

Já que não sou de muito papo com adulto, agora sem as crianças, me restaram os gatos, cachorros, passarinhos, paredes e travesseiro. Você não pode imaginar quantas vezes fiquei depois de um espetáculo de sucesso, sozinha no teatro a ruminar o que era aquele momento de profundo abandono depois que todos iam embora pras suas casas.

Acho engraçado quando muitos ainda hoje dizem se preocupados com o tanto que fico sozinha no sítio, que isso é demais pra uma mulher ainda jovem, blá blá blá.

Sou sozinha desde pequenininha, eu sempre me isolei, sempre quis ficar com minha imaginação e meus sonhos. Nunca fui traida por eles, nunca esperei nada deles, sempre achei que eles é que esperavam por mim e de mim. Essa sempre foi a minha grande e suficiente companhia.

Crianças se encantam com artistas porque eles são crianças brincando de representar alguma coisa além de si próprios, apenas não têm mais a idade cronológica da criança de fato.

Quando vim morar na roça, era difícil dar conta de tantas crianças que queriam trabalhar para mim e as mães vinham ao meu portão para pedir que eu aceitasse. Meninos e meninas de oito, nove, doze, quinze, dez anos de idade.

Houve tempo em que abriguei mais de cinco de uma vez e a minha alegria era dar lhes remédios, comida, roupinhas e muita conversa na hora da mesa, além do dinheiro que levavam para dar em casa.

Todos aprenderam muito sobre comportamento, educação, gentileza, sobre o campo e suas aptidões e utilidades. Esse foi um tempo puro e lindo que vivi.

Hoje posso ver em seus olhos de adultos (todos que passaram por minha casa, hoje já têm seus próprios filhos) que existe um olhar de amor quando olham para mim, alguns quando falam daqueles tempos, marejam os olhos e sempre dizem que viveram em minha casa os melhores dias de suas vidas, até porque também, depois que estavam comigo, passei a proibir aos pais que batessem neles, pois isso eles sabiam dar, muito cacete nas crianças.

Foi muito cedo que percebi que o melhor era não ter mais essas crianças ou outras comigo, pois já começavam a surgir os primeiros rumores dessa catástrofe humana e social que é a pedofilia e o pior poderia vir a acontecer.

Adeus ao riso aberto, alegre, expontâneo e puro.

Adeus aos olhinhos lindos e brilhantes.

Adeus à certeza de que aqueles que vinham "trabalhar" me dando tanto trabalho, não mais trariam os "anjinhos do céu" que acompanham e protegem todas as crianças; esses nunca mais viriam iluminar os meus dias, acarinhar o meu coração, fazer uma adorável companhia à minha verdadeira pessoa, posto que crianças, ao contário dos adultos, não gostam de "personas" a não ser na hora de brincar.

Os adultos são incansáveis em acreditar, admirar, invejar , imitar, as "personas" e de serem cumplices das outras criações inevitáveis quando se vive do blefe.

Uma vez eu escrevi na contra capa de um disco meu:

-"A música é a voz de Deus, abençoado seja o músico, mensageiro Dele".

Só as crianças ouvem a voz de Deus em sua plenitude.

Os adultos "ouvem falar" ...

É o que sempre pensei sobre Michael Jackson, até porque é típico de adultos julgarem os outros por si próprios.

Se eu sou assim, se penso e me comporto desse modo, porque ele não?

Somos artistas, porque não temos o direito de sermos puros de coração?

Porque obrigatoriamente temos que ser torpes, abjetos, medíocres, como alguns que de artistas têm apenas o título?

No novo milênio não podemos esquecer nunca mais que por trás das lindas e puras crianças, podem haver duas criaturas que uniram óvulo e espermatozóide para mostrarem o que são, esses sim, os verdadeiros pedófilos, cafetões e cafetinas de seus filhos.

Depois daquele espetáculo empresarial que foi o velório de MJackson, não acho que ele foi embora cedo.

Já foi tarde.

Uma vida inteira ( inclusive no velório) sendo usurpado, só um grande coração pode aguentar cinquenta anos...

Marilia Barbosa, Julho de 2009

30 de jun de 2009

CONFLITO DE GERAÇÕES.

Falando sobre conflitos de gerações, o médico inglês Ronald Gibson começou uma conferência citando quatro frases:

1. "A nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, despreza a autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Os nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem aos pais e são simplesmente maus."

2. "Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque esta juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível."

3. "O nosso mundo atingiu o seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais os pais. O fim do mundo não pode estar muito longe."

4. "Esta juventude está estragada até ao fundo do coração. Os jovens são maus e preguiçosos. Eles nunca serão como a juventude de antigamente... A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura."

Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases.
Então, revelou a origem delas:


- a primeira é de Sócrates (470-399 a.C.)

- a segunda é de Hesíodo (720 a.C.)

- a terceira é de um sacerdote do ano 2000 a.C.

- a quarta estava escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilónia e tem mais de 4000 anos de existência.

14 de jun de 2009

ESTRÉIA!


Visitei o blog de minha amiga, a jornalista Léa Penteado e resolvi fazer o meu, pois queria fazer faz tempo, mas não sabia por onde começar, portanto Léa, você é a madrinha do meu blog!

Depois de uma vida toda, enfim parentes, há! há! há!

Obrigada, minha querida por, sem pensar, ter me dado "uma mãozinha" nessa empreitada!

Acho que por aqui vou pode me comunicar melhor com os amigos, estou um pouco cansada de emails, só espero que não levem à sério o português, posto que vou demorar a me adaptar a essas novidades ortográficas e não estou com pressa nenhuma, até porque não é do meu feitio ter pressa.

Mas eu chego lá, me aguarde Machado de Assis!

Pense Bem...

Olhe bem a chama,
atenção com o fogo,
nem só de céu vive o azul.
As chamas do fogão a gaz
são azuis
e queimam...
Vou precisar me ausentar dos emails e o blog é um meio mais direto de comunicação que toma menos tempo, pois enquanto eu morar na roça e minha conexão for à lenha, abrir todos os arquivos e pps que recebo, toma quase o dia inteiro.
Creio que será mais fácil agora, pois no blog, não terei a tentação de abrir arquivos e pps...
Vai sobrar mais tempo para eu escrever, sem ferir suscetibilidades de amigos que não suportam cópias ocultas, sentem-se preteridos ou "jogados na vala dos comuns", há! há! há! Mesmo que eu já tenha afirmado várias vezes que não "clico" aquela tecla que manda pra todos de uma vez; a cada vez, escolho os amigos para quem envio.Enfim,agradeço as visitas e espero que seja legal essa iniciativa.
Um abração,Marilia

13 de jun de 2009

ESTRÉIA!

Devo à uma visita ao blog de minha querida amiga, a jornalista Léa penteado, a criação do meu blog. Visitei-a e tomei gosto. Há tempos que queria ter um, mas não sabia por onde começar e como quase tudo que é bom, chega de surprêsa, eis que o inesperado fez essa surprêsa e cá estamos nós, meu blog e eu.

Acho que será mais fácil a comunicação com os amigos que serão muito benvindos, apenas peço que não levem à sério os erros de portugu~es, pois como não pretendo fazer outro vestibular, não faço a menor questão de pressa em me adaptar.

Um dia eu chego lá, Machado de Assis!