22 de set. de 2010

O canal da arte e beleza está aberto a todos,
só depende de cada um.
Aquele que se deixa sintonizar abrindo a mente e o coração,
costuma ser chamado de artista.
Setembro, 2010

Sobre a perda da mãe.




Dizem, os orientais, que as grandes mensagens de Deus vêm com o ladrão e com a morte.
Lamentavelmente, conheço as duas experiências e posso garantir que em ambas,

recebi mensagens que foram viradas de página, transformadoras, renovadoras, inovadoras.

Perdi minha mãe recentemente e o que eu não sabia,

é que quanto mais passam os anos, mais recente parece a perda, portanto

não há palavras para o nosso consolo.

Então, com todo carinho, o que peço é que não deixe que a dor

empane a sua visão nesse momento único e( porque não?) abençoado.

Viva sua dor intensamente para que ela se acalme logo e abra seus olhos para

o caminho de luz que mais uma vez, a mãe deixa para um filho quando vai,

para transformar-se em lenda, em memória sagrada, em amor eterno...

21 de mar. de 2010

Para minha sobrinha Paulinha, de 14 anos


Paulinha.
Estou lhe escrevendo porque de vez em quando envio-lhe mensagens de cunho político e vc poderá estranhar, por ser tão jovem.
Meu amor, não se chega a um dia em que devemos saber essas coisas, devemos ter acesso às informações desde que aprendemos a ler e a entender o que são os nossos verdadeiros direitos e um desses direitos e também dever, é saber o que acontece na administração de seu país, pois o país é a sua casa milhares de vêzes aumentada, o que acontecer no governo, repercutirá em todos os seus mais simples interêsses, por isso acho muito importante tratar você como meu pai me tratava: ele sempre me falou de política, do governos, da nossa história e eu agradeço totalmente à ele, pois enriqueceu o meu civismo desde sempre.
É claro que eu me interessei em ouvir as histórias dele sempre, em aprender com ele, em perguntar o que eu não entendia.
Você é muito inteligente e merece ser mais do que uma adolescente que só se interessa por rapazes bonitinhos e coisas da moda, como é a maioria e eu gosto muito de você e desejo que sua cabeça seja sempre brilhante, inteligente e culta, por isso envio essas matérias sobre política, as mais simples para que estejam à altura de sua compreensão, para que não seja nunca uma alienada.
Tá bom?
Beijo e saudade.
Titia Marilia

Para minha sobrinha de 14 anos...




Quando o amor começa a mostrar o seu poder de dominar as nossas almas, nossos dias, nossas noites e nossa respiração, é assim que ficamos, pedindo que nada atrapalhe esse "estado mágico de ser".
É assim que ele se apresenta pela primeira vez: grande, forte, totalitário, dominador.
Mas é bom, é tão bom que desejamos que nada no mundo atrapalhe esse envolvimento ao qual nos deixamos sucumbir, dominadas, e não queremos que nada nem ninguém possa invadir essa doce guerra que começamos a aprender a travar com o nosso íntimo.
Isso acontece na adolescência, quando começamos a aprender uma matéria que se apresenta única, como se a vida fosse só feita desse sentimento.
Mas o tempo passa, nos crescemos, aprendemos (nem sempre!) e passamos a entender que essa pedra bruta, avassaladora, é tudo o que temos de mais intimamente nosso. Não é de ninguém, como pensamos ainda jovens, é nosso, do nosso coração, da nossa índole, da nossa alma.
- É que a libido desperta ao mesmo tempo e nos confunde bastante, não tem nada a ver um com o outro, a libido com o amor, mas ambos nasceram para aprenderem a conviver e fazer-nos muito mais felizes. É isso.
Quando amadurecemos, aprendemos a definir com palavras o que nos parece indefinível quando somos adolescentes e nos encantamos com as palavras do velho Quintana, que na adolescência também não seria capaz de escrever o que escreveu, mas teve o carinho e o cuidado de deixar a sua experiência como matéria para reflexão.
Parabéns, minha querida, por estar vivendo o desabrochar do sentimento mais lindo que nasce em nós para nos fazer felizes, posto que é nosso, essencialmente nosso, e é tanto e tão grande que podemos fazer a concessão de doá-lo a quem souber o valor que tem e saiba respeitar-nos, da mesma forma que através desse amor, aprenderemos dia a dia a nos amar e respeitar muito mais.
I love you.
Titia

30 de jan. de 2010


Trechos do texto de Cora Ronái e meu comentário.
"TRALHA"
Cora Ronái
28/01/2010

" Do que é que precisamos para sobreviver? No nível mais elementar, água, comida, abrigo dependendo da ocasião e do hemisfério, cobertura contra sol e chuva. Os demais mamíferos do planeta se viram, no mais das vezes, sem os dois últimos itens. Indo um passo além, panos que nos protejam, curas para dores e machucados, histórias para contar e ouvir. Vasilhames para guardar a comida. Alguma forma de organização social para ordenar o convívio. Um adorno corporal, uma pintura rupestre."
"-Nada sobre o planeta se reproduz com a alarmante velocidade da tralha.
Patinhos de borracha, fitas do Bonfim, amuletos de toda sorte, canecas das mais variadas cores e formas, flores artificiais, enfeites de fibra ótica, miniaspiradores que não funcionam nem quando nascem, relógios, ímãs de geladeira, cristais, buttons, canetas que escrevem quatro dias e morrem no quinto, canetas que até escrevem direito mas das quais ninguém troca a carga, modelos de carros e de aviões, espelhos, esculturas medonhas representando o que existe e o que não existe, bandejas, porta-documentos e, invariavelmente, uma quantidade de chaveiros que desafia o crescimento demográfico. A lista não tem fim.
Sou tomada por uma vaga sensação de pânico quando vejo pilhas de tralha, seja em antiquários, mercados populares, lojas milionárias ou camelôs. Em dias de propensão filosófica, imagino milhões de chineses trabalhando dia e noite, imagino compradores e exportadores, imagino guindastes, estivadores e cardumes de navios cruzando os oceanos, carregados de contêineres abarrotados.
"-Na verdade, tenho uma quantidade ridícula de coisas, superior, provavelmente, a tudo o que todos os meus antepassados, juntos, jamais conseguiram reunir. E é tudo tralha! Nada que faça a fortuna dos filhos quando eu morrer, nada que possa ser cobiçado por amantes da arte ou de velharias, porque o eventual valor do que me cerca está ligado a momentos emocionais, e é intransferível."

*


Taí, agora posso falar dessa inquietude que me atinge. Descobri-me uma colecionadora de tralhas que são apenas pesos que não me permitem voar.
Queria ter coragem para fazer um brechó de doação, arrumar prateiras onde as pessoas pegariam o que quisessem e no fim eu daria uma festa de agradecimento por me fazerem livre.
Identificação em tudo o que ela diz e ainda por cima, a espera por um momento que sinto próximo quando sairei daqui para Minas Gerais, isso tudo junto é nitroglicerina pura em meu sangue, me faz envelhecer rapidamente e me angustia, pois quero chegar lá ainda com algum fulgor de jovialidade.
As tralhas pesam na alma e não nos damos conta o quanto, apenas quando vemos os planos ficando distantes e o cotidiano vira matéria de lembrança para o dia seguinte e os outros que rapidamente chegarão...

Marilia

ps: a fotopostada, é porque estava procurando por uma que tivesse a ver com o texto e encontrei essa com a "tralhinha" do Constantino dormindo onde bem entende...

24 de nov. de 2009


Como os ventos
minha cabeça roda,
e voa, e pesa, para baixo.
A primavera visita minha casa
e eu a recebo
como se nunca estivera...
Tanta cor, tanto verde,
tanta flor,
e eu batendo pelas paredes
com labirintite.
Que dicotomia!
E a lua ri de mim...

4 de out. de 2009

Domingo, 4 de Outubro


Conheci Rosane em Campos dos Goytacazes, em 1968.

Ela foi com a irmã falar comigo nos bastidores depois show que apresentei lá, nunca esqueço aquele dia.

Minha amizade foi com a irmã dela, mas ela insistiu tanto, com cartas lindas, sempre presente, que foi com ela que tive uma linda amizade até ontem, quando ela foi enterrada em Recife, lugar onde ela gostava de passar as férias, alugava uma casinha e curtia a vida adoidado.

Abri meus emails e lá estava um aviso de postagem em meu blog. Quando li a mensagem não pude acreditar no que via, aquelas palavras pareciam um texto qualquer, não podia ser a vida real. Liguei pra lá, falei com a amiga que deu a notícia e que no telefonema contou o calvário que passaram com ela em hospitais, Samus e o cacete! Nenhum diagnóstico preciso, nem uma palavra que desse algum esclarecimento...e ela morrendo aos poucos.

Soube que foi alguém, conhecido da irmã para providenciar o funeral.

Para mim, que ainda não dormi, foi hoje o enterro, mas foi ontem, dia 03 de Outubro.

Em Recife.

Escuto a voz dela, suas risadas felizes, pois sempre que ela estava comigo estávamos felizes. Querida. Sempre me ligava de Campos onde morava. Ligava de todos os lugares para onde ia passar férias. Minha irmã de verdade.

Recife, faça festas, ela ficou aí, que os espíritos cuidem bem de sua alma, já que os encarnados responsáveis cuidaram tão mal.

Obrigada às amigas que fizeram tudo o que podiam, saibam que ela adorava a sua companhia, por isso não abria mão das férias com voces. Obrigada.
Rosane, Rosane, minha querida, minha irmã de verdade.

Daqui por diante vou fazer com você o exercício que faço com as pessoas minhas amadas que vão embora:

Penso nelas todos os dias, procuro ver todo o corpo e ouço a voz falando comigo, para não esquecer nada do que foi importante em minha vida. E não esqueço mesmo, como não lhe esquecerei. Pode estar certa, querida.
Tenha muita paz e alegria no céu!

28 de set. de 2009


"Cadê meus olhos que não tem vêem,
meu coração que não se abre,
minha sensibilidade que se esvaiu?
Estou tão brutalizada que te falto...
Não desista de mim, Aracy, não desista"...


Poema pra minha gata Aracy,
que tem sido distratada por mim por tanto tempo e
que em nenhum momento me abandonou.
Só os bichos são capazes desse amor, só os bichos...

Da vida comum
só os laços comuns
me interessam.
Nada que me ofereça hoje
uma "ideia" de novidade
pode me interessar,
por mais simplório
que tudo possa parecer
não quero surpresas.
Sei o que quero,
sei do que preciso.
Não tentem me surpreender,
não estou disponível.
*


Apenas uma dificuldade.


Não adianta tentar dormir mais cedo, a cama parece uma frigideira e pode estar fazendo o frio que for, sinto calor de tanto que faço ginástica virando pra lá e pra cá...
Obras em casa e a vida parece que para, não consigo dar um passo à frente, fico "em tempo de espera".
Acho que o que salva é a minha camera fotográfica, ela registra que "o tempo não para", mesmo que pareça que sim e mesmo que a foto seja algo estático, ela ensina que esperar pode ser um tempo de contemplação...

4 de set. de 2009

QUEIMANDO ETAPAS.

Tirei minha carteira de motociclista em 1978, mas só pilotava quando ia à casa do meu irmão Gilmar em São José dos Campos/SP, não queria ter moto para não me arriscar todos os dias e não poder criar o meu filho, aliás, depois que ele nasceu, cortei tudo o que pudesse me expor, pois além de nao querer deixá-lo sem mãe, principalmente eu não queria correr o risco de não viver com ele, que foi o grande sonho de uma vida realizado.
Passaram tantos anos, tanta coisa tomou a frente dos meus sonhos menores, pois é assim que a vida é.
Hoje uso muito uma frase do Belchior que diz "Tenho pressa de viver", não tenho tempo a perder e o que tenho será para colocar em dia a realização de cada pequeno sonho que sonhei, um deles está aí na foto, a minha moto "custom", uma Virago 250cc, toda equipada para a estrada, que é a sua vocação e a minha também.
Sempre achei que aquela propaganda era a minha cara e sempre pensei em um dia poder cantá-la de verdade e não apenas "com os meu botões, "Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada...", sempre achei que o ideal de vida era uma mochila com "uma muda" de roupa dentro, um livro e uma escova de dentes.
Está faltando bem pouquinho, já passei do "meio caminho andado".
Estou muito feliz!
Em Tempo, o nome dela é "Amiguinha" e eu sou apaixonada por ela.






17 de ago. de 2009

:) oi



Adoro escrever acrósticos!
Uma vez, Vinícius de Moraes me disse, que achava a coisa mais difícil de se fazer. Duvidei que ele não pudesse... mas ele deu muitas explicações e resolvi acreditar. Afinal, pra que um poeta mente?
O poeta é apenas um fingidor...Mas eu não.
Quando escrevo, grito bem alto, acho que o desabafo é que me salvou de ser uma mentirosa.
Eu escrevo para todos, mas é por mim que escrevo, pra não ficar louca quando a emoção, seja qual for, não cabe em mim.

Aí está um acróstico que escrevi para justificar, "com carinho", o fim de um namoro há!há!há!
NYC,13/Nov/1999

Malverseou os projetos, ainda
Incompletos no próprio tempo de ser.
Separou da água, o
Óleo que unge a vida,
Golpeando com palavras,
Incessantemente,
Nossos mal arquitetados
Oníricos anseios.

16 de ago. de 2009

Casarão


Tentei a anorexia, tentei de tudo.
Me vi preparando o ninho,
qual uma noiva
de mil anos de solidão.
A casa crescia, os móveis andavam,
a chuva vazava as telhas pesadas
pra madeira verde do teto.
As teias de aranha fechavam passagens e
eu já não andava mais por todo o lado,
a vida colocava-se à minha frente
qual obstáculo,
impossível de não ser vista.
Cortei os pulsos e o sangue que jorrava
espalhava-se em mim e num minuto,
olhava a minha pele antes manchada
e via que o sangue entrava nos poros,
a pele embranquecia e o corte sumia !
Procurei pelos cantos
um motivo qualquer
que me desse o prazer
de ir embora de vez.
Mas nesses cantos, nos meios,
vasculhando as telhas,
as teias,meu sangue,
esbarro vez por outra
em um vestido de noiva
que caminha sozinho,
qual um fantasma,
dentro da minha casa.
*

Sobre Amigos.


A amizade vive da verdade da emoção.
Nada me desperta mais a ira,
do que a mentira e a traição.
Fico feito bicho acuado,
com o peito doído,
pelos golpes do desdém.
Com pés e mãos amarrados
e o peito amordaçado,
do deboche sou refém.
Amortalhada e perplexa,
observo a teia complexa,
que a falsidade constrói.
E fico um pouco mais velha
quando ainda tão menina,
engulo o fel que corrói.
*

15 de ago. de 2009

Sobre os meus fãs, sobre o amor...


Não, não dá para "classificar" o sentimento.

Não é gentil, chamar esse ou aquele fã, de número 1.

O amor não se compara a números,

não vamos encontrar nada no mundo

que se preste a medir o amor,

nem se ama mais ou menos

ou também não se ama melhor ou pior.

Ama quem pode, quem quer, quem doa,

quem cuida, quem zela, olha,

observa, fala, cala, chora e ri, por amar.

Àquele que percebe o amor do próximo por si,

cabe o respeito, o apreço, a recíproca.

É preciso maturidade, experiência, vivência e,

lamentavelmente, muito sofrimento,

para se reconhecer em corpo e alma,

como "a casa de Deus" e então

saber porque Jesus disse:

-"Amai ao próximo como a ti mesmo".

Em meus momentos de pensar,

que aliás são muuuuuuuitos,

o que penso é que quando alguém me admira

e demonstra essa admiração,

é porque em algum lugar de mim,

essa pessoa se reconhece e é isso

o que nos aproxima,

é o que nos mostra definitivamente

a clareza das Palavras Divinas

que nos chamam à todos de irmãos.

E é assim que vejo, aceito esse amor

de todos os que se auto-intitulam fãs,

mas troco a palavra fã, pela palavra irmão,

pois quando em mim alguma coisa de si

eles reconhecem,

é no amor que me dão que os reconheço.

Jamais me cansarei de agradecer a Deus

pelo bem que me fez

quando deu-me a missão de ser artista,

missionária de Sua vontade.

Muito obrigada a todos vocês, meus irmãos e irmãs.

O que me enobrece como artista,

é o número de irmãos e irmãs que reencontro na vida.

Um beijo com todo amor,

Marilia Barbosa

14 de ago. de 2009


"Estivesse eu perto de ti

e te cobriria os passos de pétalas,

concavas, brancas, suaves..

cantaria canções doces,

de nuances que enlevam,

que levam

a alma pro céu..."

Ao Maico, escrito em 08/03/1979



Quisera transformar-me em um pássaro invisível
e entrar em teus sonhos enquanto dormes, meu filho.
Quisera conhecer teu sono por dentro,
viajar com teus passos, tua alma.
Quisera zelar por teu espírito,
no momento em que ele deixa o teu corpinho lindo,
a repousar na cama de minha casa.
Quisera caminhar contigo por céus e estrelas
e a ti eu mostraria o mais lindo caminho de nuvens.
Quisera poder, no céu, defender-te de todos os perigos.
Quisera sim, estar sentada em tua cama
quando tu acordasses,
beijar-te e ao teu primeiro sorriso,
dizer-te sem medo:
- Vá, meu filho!
A vida te espera e Deus te acompanha.


*


PRA QUEM FICA,...CIAO !


Alguém foi embora

com o drama comum

às partidas

e mal sabe ainda

que a vida desconhece

despedidas.

A vida é estrada

é tudo e é nada,

é querida

e quem segue a estrada

da vida querida,

tem a vida.

Uma troca de emails sobre a epidemia de gripe

Marilia,
Eu já recebi este e-mail de outra pessoa, e não estou achando no momento, pois gostaria de repassá-lo para você.
As personagens eram as mesmas, mas a história era outra.
Então. embora não duvidando que a situação esteja complicada mesmo e que,como sempre, estejamos sendo enganados, neste caso, acho que devemos somente ficar atentos, pois existem pessoas de todo o tipo, para nos colocar mais apavorados do que já estamos.
Bjs
Marise
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Concordo plenamente, mas como eu disse, ficaria muito mal comigo mesma se não repassasse, mas sei que nesses momentos é muito difícil separar o joio do trigo, o que penso de verdade, amiga querida, é em dar um tempo enorme na Internet, mas como todos os nossos negócios (vc sabe) são feitos via net, inevitavelmente tenho que abrir o pc todos os dias e aí vejo msgs de amigos como o Flávio, Você e outros amigos e amigas pelos quais tenho todo respeito e admiração e me vejo na "sinuca de bico" entre repasso ou ignoro.
São tempos muito difíceis esses tempos sem ética em que estamos vivendo, o Vianinha estava certo já nos anos sessenta: "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".
Meu filho fala assim pra mim:
"- Mamãe, não repassa nada, deixa tudo pra lá, lê e passa batido".
Mas, Marise, é assim esse novo tempo onde pessoas como nós sofrem de profunda inadequação. Vivo em estado de perplexidade, já não sei mais onde estou.
Verdade.
Sabe, estou precisando tanto de conversar, tenho me sentido numa solidão intelectual, afetiva também intelectual, no sentido da confiança, do crédito, da fé no próximo.
Essa é a grande razão de vender tudo e ir pra Minas, ostrar-me na família, viver perto do mundo encantado das minhas netas e no mundo maravilhoso de amor com meu filho e minha nora.
Não pretendo "viver a vida deles", não preciso e nem quero isso, mas não quero mais olhar para fora disso, a não ser pelos cuidados que sempre terei com eles.
Ah, amiga, que lástima! Nós conhecemos lindos tempos, por isso temos o que lamentar , não como nostalgia do passado, mas de um presente avassaladoramente assustador que furta de todos nós o direito de desfrutar desse mundo de Deus, com segurança e fé.
Desculpe o lamento, mas não tenho nada melhor hoje para sentir.
Todo o meu carinho e muito sincera amizade para sempre,

Marilia

A BELA MULHER

09/07/05


A bela mulher não precisa de adornos.

Ela só precisa de um homem que lhe diga que é bela
e ela brilhará como o diamante brilha,
involuntariamente,sob a luz.
A bela mulher só precisa, às vêzes,de um vestido
que lhe faça sentir-se nua
diante desse homem
e que ela vestirá -despida-e fará de um andrajo, sêda.
A bela mulher não se vê em espêlhos.
Ela se descobre nos olhos de um homem apaixonado
e seus defeitos irremovíveis
se movem,voláteis, para outro universo.
A bela mulher só precisa de um homem lúcido,
que queira mostrar a beleza da mulher
que se despe de tudo,
para amar com as entranhas,
onde os olhos de um homem qualquer
jamais entrarão.