21 de dez de 2010


Deixa eu me iludir, me atraiçoar.

Deixa eu cair e sentir a emoção de quem espera

a sombra do que era o sonho de amor,

perdido,

traído pela fé que ilude

e empana a verdade

que os olhos de amor não vêem...

Me deixa, não fala comigo,

hoje eu não preciso do afago de amigo,

hoje eu quero cair na pedra fria

do chão que me espera

e chorar cada pedaço

da dor que é só minha,

por fatalidade,

por destino cruel,

que me quer tão sozinha.


Me deixa, me larga, me esquece

não olha em meus olhos, desaparece.

Não tenho mais voz, sou silêncio de morte

sou fio de luz que fenece.

19 de out de 2010

Marilyn Monroe - Scene at Marilyn's house after her death

Acabei de ler o livro "A vida secreta de Marilyn Monroe", de J.Randy Taraborrelly, Editora Planeta, 459 páginas. Gostei muito, especialmente porque pude acompnhar o desenvolvimento da história com as ilustrações e indicações de um outro livro sobre ela, o "The Complete Films of Marilyn Monroe", de Mark Ricci e Michael Conway (A CITADEL PRESS BOOK, published by Carol Group), também com o suporte dos inúmeros posts dela no Youtube. Uma viagem!

Difícil é sair dessa nuvem de sonhos e pesadelos que foi a vida dessa absoluta beleza e absurda caminhada na vida. Gente, só lendo...Doi o coração...

7 de out de 2010

Uma visita esperada por toda a vida.






Ontem, dia 6 de Outubro de 2010, foi um dia muito especial, pois assinei a escritura da chácara que comprei aqui em Poços de Caldas.
À tarde fui ao Instituto Moreira Salles para inscrever-me em uns cursos que acontecem sempre por lá e comprei um livro lindíssimo de Décio Alves de Morais, "Poços de Caldas. Memórias em Preto e Branco".
Sintomático...Quis conhecer desde os primórdios a terra à qual me ligo agora e que tenho um pedacinho para desfrutar.
Quando voltei pra casa, tive vontade de ler minhas poesias e abri a caixa onde guardo os cadernos que abrigam uma infinidade delas por toda a minha vida.
Anotei em minha agenda: procurar uma editora.
Liguei para o número que que o livro do Décio traz na contracapa: Editora SulMinas.
Atendeu-me uma voz chamada Priscilla, muito gentil, e marcamos um papo para hoje, dia 7 de outubro de 2010, o primeiro dia da minha vida em que tomo a decisão de publicar as minhas poesias.
É tudo sintomático, aliás eu funciono dentro da lógica dos meus sentimentos e eles correm disciplinadamente como um rio.
Priscilla me atendeu como se fossemos velhas amigas. Aliás, é uma marca dessa cidade, as pessoas nos atendem com extrema delicadeza e educação e é comum que nos levem até à porta e nos abracem e beijem quando vamos embora. No princípio eu levava um susto, mas agora já me acostumei e adoro. E admiro.
Mil exemplares não é barato, mas é mais em conta do que fazer quinhentos, mas o mais interessante, é que é exatamente o preço que dei para vender a minha moto, portanto, preciso vender a moto em troca de um livro de poesias de toda a minha vida.

Quanto à moto, não posso mais sonhar com ela, pois é tão frequente que a labirintite dá sinal que resolvi seguir como o inconsciente sinaliza, pois esse é o meu lado sábio, o inconsciente.
Mente, quem diz que fez besteira inconscientemente...
Enfim, uma saudação à minha amiga Léa Penteado que num outro dia me perguntou numa mensagem: - "E o seu livro?"
Desde então não parei de pensar nisso e hoje dei o primeiro passo.
Estou muito feliz por isso e quis compartilhar.




22 de set de 2010

O canal da arte e beleza está aberto a todos,
só depende de cada um.
Aquele que se deixa sintonizar abrindo a mente e o coração,
costuma ser chamado de artista.
Setembro, 2010

Sobre a perda da mãe.




Dizem, os orientais, que as grandes mensagens de Deus vêm com o ladrão e com a morte.
Lamentavelmente, conheço as duas experiências e posso garantir que em ambas,

recebi mensagens que foram viradas de página, transformadoras, renovadoras, inovadoras.

Perdi minha mãe recentemente e o que eu não sabia,

é que quanto mais passam os anos, mais recente parece a perda, portanto

não há palavras para o nosso consolo.

Então, com todo carinho, o que peço é que não deixe que a dor

empane a sua visão nesse momento único e( porque não?) abençoado.

Viva sua dor intensamente para que ela se acalme logo e abra seus olhos para

o caminho de luz que mais uma vez, a mãe deixa para um filho quando vai,

para transformar-se em lenda, em memória sagrada, em amor eterno...

21 de mar de 2010

Para minha sobrinha Paulinha, de 14 anos


Paulinha.
Estou lhe escrevendo porque de vez em quando envio-lhe mensagens de cunho político e vc poderá estranhar, por ser tão jovem.
Meu amor, não se chega a um dia em que devemos saber essas coisas, devemos ter acesso às informações desde que aprendemos a ler e a entender o que são os nossos verdadeiros direitos e um desses direitos e também dever, é saber o que acontece na administração de seu país, pois o país é a sua casa milhares de vêzes aumentada, o que acontecer no governo, repercutirá em todos os seus mais simples interêsses, por isso acho muito importante tratar você como meu pai me tratava: ele sempre me falou de política, do governos, da nossa história e eu agradeço totalmente à ele, pois enriqueceu o meu civismo desde sempre.
É claro que eu me interessei em ouvir as histórias dele sempre, em aprender com ele, em perguntar o que eu não entendia.
Você é muito inteligente e merece ser mais do que uma adolescente que só se interessa por rapazes bonitinhos e coisas da moda, como é a maioria e eu gosto muito de você e desejo que sua cabeça seja sempre brilhante, inteligente e culta, por isso envio essas matérias sobre política, as mais simples para que estejam à altura de sua compreensão, para que não seja nunca uma alienada.
Tá bom?
Beijo e saudade.
Titia Marilia

Para minha sobrinha de 14 anos...




Quando o amor começa a mostrar o seu poder de dominar as nossas almas, nossos dias, nossas noites e nossa respiração, é assim que ficamos, pedindo que nada atrapalhe esse "estado mágico de ser".
É assim que ele se apresenta pela primeira vez: grande, forte, totalitário, dominador.
Mas é bom, é tão bom que desejamos que nada no mundo atrapalhe esse envolvimento ao qual nos deixamos sucumbir, dominadas, e não queremos que nada nem ninguém possa invadir essa doce guerra que começamos a aprender a travar com o nosso íntimo.
Isso acontece na adolescência, quando começamos a aprender uma matéria que se apresenta única, como se a vida fosse só feita desse sentimento.
Mas o tempo passa, nos crescemos, aprendemos (nem sempre!) e passamos a entender que essa pedra bruta, avassaladora, é tudo o que temos de mais intimamente nosso. Não é de ninguém, como pensamos ainda jovens, é nosso, do nosso coração, da nossa índole, da nossa alma.
- É que a libido desperta ao mesmo tempo e nos confunde bastante, não tem nada a ver um com o outro, a libido com o amor, mas ambos nasceram para aprenderem a conviver e fazer-nos muito mais felizes. É isso.
Quando amadurecemos, aprendemos a definir com palavras o que nos parece indefinível quando somos adolescentes e nos encantamos com as palavras do velho Quintana, que na adolescência também não seria capaz de escrever o que escreveu, mas teve o carinho e o cuidado de deixar a sua experiência como matéria para reflexão.
Parabéns, minha querida, por estar vivendo o desabrochar do sentimento mais lindo que nasce em nós para nos fazer felizes, posto que é nosso, essencialmente nosso, e é tanto e tão grande que podemos fazer a concessão de doá-lo a quem souber o valor que tem e saiba respeitar-nos, da mesma forma que através desse amor, aprenderemos dia a dia a nos amar e respeitar muito mais.
I love you.
Titia

30 de jan de 2010


Trechos do texto de Cora Ronái e meu comentário.
"TRALHA"
Cora Ronái
28/01/2010

" Do que é que precisamos para sobreviver? No nível mais elementar, água, comida, abrigo dependendo da ocasião e do hemisfério, cobertura contra sol e chuva. Os demais mamíferos do planeta se viram, no mais das vezes, sem os dois últimos itens. Indo um passo além, panos que nos protejam, curas para dores e machucados, histórias para contar e ouvir. Vasilhames para guardar a comida. Alguma forma de organização social para ordenar o convívio. Um adorno corporal, uma pintura rupestre."
"-Nada sobre o planeta se reproduz com a alarmante velocidade da tralha.
Patinhos de borracha, fitas do Bonfim, amuletos de toda sorte, canecas das mais variadas cores e formas, flores artificiais, enfeites de fibra ótica, miniaspiradores que não funcionam nem quando nascem, relógios, ímãs de geladeira, cristais, buttons, canetas que escrevem quatro dias e morrem no quinto, canetas que até escrevem direito mas das quais ninguém troca a carga, modelos de carros e de aviões, espelhos, esculturas medonhas representando o que existe e o que não existe, bandejas, porta-documentos e, invariavelmente, uma quantidade de chaveiros que desafia o crescimento demográfico. A lista não tem fim.
Sou tomada por uma vaga sensação de pânico quando vejo pilhas de tralha, seja em antiquários, mercados populares, lojas milionárias ou camelôs. Em dias de propensão filosófica, imagino milhões de chineses trabalhando dia e noite, imagino compradores e exportadores, imagino guindastes, estivadores e cardumes de navios cruzando os oceanos, carregados de contêineres abarrotados.
"-Na verdade, tenho uma quantidade ridícula de coisas, superior, provavelmente, a tudo o que todos os meus antepassados, juntos, jamais conseguiram reunir. E é tudo tralha! Nada que faça a fortuna dos filhos quando eu morrer, nada que possa ser cobiçado por amantes da arte ou de velharias, porque o eventual valor do que me cerca está ligado a momentos emocionais, e é intransferível."

*


Taí, agora posso falar dessa inquietude que me atinge. Descobri-me uma colecionadora de tralhas que são apenas pesos que não me permitem voar.
Queria ter coragem para fazer um brechó de doação, arrumar prateiras onde as pessoas pegariam o que quisessem e no fim eu daria uma festa de agradecimento por me fazerem livre.
Identificação em tudo o que ela diz e ainda por cima, a espera por um momento que sinto próximo quando sairei daqui para Minas Gerais, isso tudo junto é nitroglicerina pura em meu sangue, me faz envelhecer rapidamente e me angustia, pois quero chegar lá ainda com algum fulgor de jovialidade.
As tralhas pesam na alma e não nos damos conta o quanto, apenas quando vemos os planos ficando distantes e o cotidiano vira matéria de lembrança para o dia seguinte e os outros que rapidamente chegarão...

Marilia

ps: a fotopostada, é porque estava procurando por uma que tivesse a ver com o texto e encontrei essa com a "tralhinha" do Constantino dormindo onde bem entende...